01/12/2018 - 08:46

Jovem artista plástico com deficiência intelectual expõe obras na Secretaria de Justiça

Leonardo Santos Vieira pode ter apenas 20 anos, mas já sabe o que quer para o futuro: "Pretendo ir muito mais além e aprender mais sobre pintura", disse, ao lado dos 12 quadros de sua exposição 'Mulheres Negras', que será exposta na Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS), entre os dias 03 e 07 de dezembro, das 9h às 18h. Para ele, o sonho de ser artista plástico se torna ainda mais especial: Leonardo tem retardo mental moderado, um tipo de deficiência intelectual que compromete o aprendizado e as habilidades de comunicação.

"Leonardo nasceu prematuro, com 7 meses, por complicações na gravidez. Ele tem o silêncio dele; vive no mundo dele", explicou a mãe do rapaz, Marilene dos Santos, 51, que trabalha como consultora de cosméticos. 'Lene', como gosta de ser chamada, conta que, desde os 4 anos, Leo observava todas as imagens e figuras, quando ela o levava para rua, e queria "botar logo no papel". "Ele ficava só olhando e dizia toda hora pra mim que queria voltar pra casa pra desenhar. 'Calma, menino!', eu falava pra ele, mas não adiantava", relembrou.

Foi aí que ela resolveu comprar um caderno de desenho para o filho - que logo se tornou um item indispensável na hora das compras – e, desde então, passou a investir em seu potencial, o matriculando, em 2017, no Centro de Artes da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais Salvador (Apae Salvador), onde já fazia acompanhamento com psicólogos e neurologistas desde pequeno.

"Quando olhava para as imagens, achava bonito e jogava no papel. Mas pintei pela primeira vez e achei diferente. No papel é mais fácil; no quadro, é mais complicado. Me sinto bem, relaxado”, contou Leonardo, mostrando, em seguida, a primeira tela pintada e a “mais elaborada” de “Mulheres Negras”, sua terceira exposição. Segundo o jovem, a inspiração para os quadros, que retratam mulheres negras e orixás, veio da “boniteza” que sentiu ao ver as imagens durante o curso de pintura, o que despertou seu interesse em retratá-las na mesma hora.

A mãe, orgulhosa, sempre procurou matricular o rapaz em colégios inclusivos para estimular seu crescimento e independência e não esconde a emoção de ver o resultado do trabalho e empenho do filho, que, às vezes, era o único aluno do curso de férias da Apae para desenhos em tela. “Quando inscrevi ele no curso, foi pensando também em liberar a energia dele na pintura. Eu digo a ele que tô aqui pra o que der e vier. É um privilégio ter um filho capaz disso, tão capaz quanto pessoas ditas ‘normais’”, ressaltou.

Atualmente, Leo divide a rotina entre o estágio no Programa Jovem Aprendiz, no Pelourinho, para ajudar com os custos dos materiais de pintura, e o acompanhamento na Apae. E os planos continuam: ele está negociando, para janeiro, o novo local da exposição “Mulheres Negras”, no Sesc-Senac Pelourinho, e pretende ingressar no curso de Artes Plásticas da Ufba para, no futuro, ter seu próprio ateliê.

“Algumas pessoas não acreditaram que eu tinha pintado. E tem muita gente que não acredita em si. Tudo é possível. As pessoas podem ir mais além em qualquer coisa. E que elas nunca desistam de seus sonhos”, destacou o rapaz.


Fonte: Ascom/ SJDHDS